Boa tarde,
O Blog Betim em Foco permaneceu por mais de 2 meses sem atualizações devido a estudos e pesquisas do transporte coletivo de Betim que vinham sendo realizados e terão seus resultados divulgados aqui aos poucos.
Uma das questões mais intrigantes para os administradores do transporte público é a como combater o transporte clandestino, que vem fortalecendo-se e ganhando mais adeptos dia após dia.
Pelo ponto de vista do usuário é fácil descobrir o motivo disso. Os passageiros do transporte público intermunicipal são obrigados a ficar horas à espera do ônibus nos desconfortáveis pontos de embarque e desembarque. Com a chegada deste, a superlotação, o desconforto do veículo e a falta de habilidade dos operadores tornam a viagem um castigo, tudo isso sustentado por uma tarifa absurda que até agora não foi explicada pelos órgãos gerenciadores.
Um dos pontos mais atacados pelos usuários é a utilização da BR-381 para se chegar á Belo Horizonte e à Cidade Industrial. A Via Expressa oferece um corredor mais seguro, trânsito mais leve e caminho mais curto para se chegar a estes locais e é utilizada por poucas linhas em horários escassos.
O transporte clandestino apoia-se nessa falha, operando várias viagens pela via expressa, que conseguem ser realizadas em 30% do tempo de viagem pelos ônibus que passam pela Rodovia Fernão Dias.
Além disso, muitos veículos do transporte clandestino oferecem maior conforto do que os ônibus em estado de deterioração que encontramos em nossa cidade. O automóvel particular usado para transporte de passageiros entre viagens (carona) oferece maior agilidade, conforto e segurança do que o transporte coletivo, de tal forma que muitos passageiros optam pelo transporte ilegal, perdendo o ônibus para esperar os "caroneiros".
Os horários oferecidos pelo transporte clandestino também se tornam uma vantagem para este tipo de transporte. Em algumas linhas que no transporte regular há um espaço de aproximadamente 45 minutos entre as viagens, o transporte clandestino oferece viagens a cada 15 minutos.
O transporte clandestino é considerado crime, e acarreta ao passageiro diversos riscos à sua segurança. No transporte coletivo existem motoristas treinados (que nem sempre cumprem de forma exata seu serviço), veículos em constante manutenção (e que oferecem o risco de desmontarem no meio do caminho devido à depreciação da carroceria) e diversos outros recursos que oferecem segurança ao passageiro. Então, qual o otivo deste acolhimento do transporte clandestino pela população?
É explícito que os órgãos gerenciadores (BHTrans, DER-MG e Transbetim) devem tirar seu foco do combate do tráfego dos veículos do transporte clandestino e começar a combater o mal pela raiz, ou seja, reformular esse sistema de transporte público caracterizado pelo usuário como tosco(*)!

(*) - Em pesquisa com usuários do transporte coletivo foi pedido que os mesmos resumisem o transporte coletivo de Betim em apenas uma palavra. As três palavras mais constantes foram: "Ridículo", "Desumano" e "Tosco".
